Em setembro de 2026, um quilo de café arábica custava 1,97 vez o preço de um quilo de robusta nos mercados mundiais, perto da mediana da relação nos meses desde 2000, que é de 1,89, enquanto em setembro de 2024 essa relação havia caído para 1,15, o nível mais baixo desde dezembro de 1995, segundo uma análise da Wikifarmer dos preços mensais de commodities do Banco Mundial. A diferença de preço entre as duas espécies de café voltou a aumentar, já que, depois do pico de fevereiro de 2025, o robusta perdeu 36,5% e o arábica, 19,8%.
Em setembro de 2024 o arábica custava só 1,15 vez o preço do robusta
Em setembro de 2024 o arábica estava cotado a US$ 6,12 por quilo e o robusta, a US$ 5,33, de modo que a relação caiu para 1,15, nível que não se via desde dezembro de 1995 e que nenhum outro mês desde 2000 atingiu (Banco Mundial). O robusta subiu de US$ 2,12 por quilo em janeiro de 2023 para US$ 5,81 em fevereiro de 2025, uma alta de 174,1% e o maior nível desde maio de 1977. No mesmo período, a seca reduziu a safra 2023/24 de robusta no Vietnã, o maior país produtor dessa espécie.
Desde 2000 o arábica costuma custar quase o dobro
A mediana da relação nos meses de janeiro de 2000 a setembro de 2026 é de 1,89, e em metade desses meses a relação ficou entre 1,58 e 2,19. De 1960 a 1999, por outro lado, a mediana foi de apenas 1,25 vez, e por década ficou em 1,27 nos anos 1960, 1,11 nos anos 1970, 1,20 nos anos 1980, 1,51 nos anos 1990, 1,97 nos anos 2000, 1,80 nos anos 2010 e 2,00 desde 2020. Em janeiro de 2023, antes da alta do robusta, a relação era de 2,15.

Fonte: análise da Wikifarmer dos preços mensais do Banco Mundial (Pink Sheet, atualização de 2 de outubro de 2026). A linha horizontal marca a mediana da relação desde 2000.
O robusta caiu 36,5% desde o pico e o arábica caiu 19,8%
O arábica chegou a US$ 9,05 por quilo em fevereiro de 2025 e de novo em novembro de 2025, o preço mais alto da série desde 1960 em dólares correntes, sem ajuste pela inflação, e em setembro de 2026 estava em US$ 7,26, 19,8% abaixo desse pico e 17,8% abaixo do preço de setembro de 2025. O robusta caiu com mais força, para US$ 3,69, 36,5% abaixo do pico de fevereiro de 2025 e 20,8% abaixo do nível de um ano antes, de modo que a relação de 1,97 está hoje acima da registrada em 55,8% dos meses desde 2000. Nos mesmos anos, o preço do cacau seguiu uma trajetória parecida, com uma forte alta e um recuo rápido, e o cacau devolveu em um ano uma parte maior da alta do que em qualquer disparada de preço anterior.
A relação não é afetada pela inflação
A relação é o preço do arábica dividido pelo preço do robusta no mesmo mês, por isso não é afetada pela inflação, já que os dois preços estão em dólares do mesmo ano. O preço do arábica usado pelo Banco Mundial é o indicador da Organização Internacional do Café (OIC) para os "Outros Arábicas Suaves", uma média dos mercados de Nova York e Bremen/Hamburgo, e o preço do robusta é o indicador da OIC para os Robustas, uma média de Nova York e Le Havre/Marselha, ambos cotados ex-dock (posto no cais).
A diferença entre os dois preços importa para produtores e torrefadores
O arábica é cultivado principalmente no Brasil, na Colômbia, na Etiópia e na América Central, e o robusta no Vietnã, no Brasil, na Indonésia e em Uganda, por isso a diferença entre os dois preços afeta de maneira distinta os produtores de cada país. Para os torrefadores que usam as duas espécies em seus blends, a relação mostra quanto o arábica custa a mais em cada mês, e em 2024 essa diferença foi a menor desde meados dos anos 1990.
Os números mostram como os preços variaram, não o que provocou essas variações, e não são uma previsão. Nos próximos meses, vale acompanhar os preços mensais do Banco Mundial referentes a outubro, que saem no início de novembro, e os relatórios mensais da OIC sobre o mercado cafeeiro.
Fontes
- Banco Mundial. (2026). Commodity Markets, Pink Sheet monthly prices. Grupo Banco Mundial.







